Quinta-feira, Julho 02, 2009
A Cruz Vermelha chama a atenção sobre a dramática situação em Gaza

Foto daqui
Em tempo de crise todos os actos de solidariedade são sempre bem recebidos. E não deixa de ser um facto bem curioso quando vemos que a maior parte das iniciativas de solidariedade ou estão associadas à Igreja Católica ou ao extremo oposto, ao Bloco de Esquerda… vá lá saber-se porquê! E bem pude comprovar isso quando participei activamente em iniciativas no Bairro da Conchada (Coimbra), na Musgueira (Lisboa), Bairro do Aleixo (Porto) e no Bairro da Paradinha (Viseu)…
No entanto, a eficácia destes actos de solidariedade fica sempre muito aquém dos nossos desejos. Mas vale sempre a pena, pois por pouco que se faça… nem imaginam a satisfação dos que realmente sofrem. A revolta surge quando as diversas formas de solidariedade não chegam aos seus destinatários devido a bloqueios, que bem podem ser catalogados de crimes contra a humanidade, de quem tem maior responsabilidade pelas situações de crise.
Fugindo à nossa crise que não é muito diferente da que ocorre actualmente em qualquer país por mais desenvolvido que seja, vou centrar-me num episódio bem actual e que está a ser cada vez mais esquecido pela solidariedade internacional: no passado mês de Março, numa conferência celebrada no Egipto, a comunidade internacional comprometeu-se a suportar com 4.500 milhões de dólares para a reconstrução de Gaza, assolada pela recente operação militar israelita. Mas a reconstrução tropeça no bloqueio israelita, que apenas permite as importações a conta-gotas. O Comité Internacional da Cruz Vermelha (ICRC) acaba de publicar uma informação que descreve a dramática situação de 1,5 milhões de pessoas isoladas na faixa.
A faixa de Gaza está isolada do mundo exterior. Inclusive, antes das últimas hostilidades, Israel já tinha imposto severas restrições ao movimento de bens e de pessoas, com o intuito de castigar a população que tinha votado no Hamas. Seis meses depois da última guerra, escreve a Cruz Vermelha, “as restrições estão a tornar impossível a reconstrução das vidas dos habitantes de Gaza. Os produtos que entram em Gaza estão abaixo do que é necessário para satisfazer as necessidades da população. Em Maio de 2009, apenas 2.662 camiões de mercadorias entraram em Gaza, menos 80% dos 11.392 que entraram em Abril de 2007, antes do Hamas chegar ao poder”. A ajuda prometida pela comunidade internacional está ameaçada pelo bloqueio israelita.
Sem material para construir casas
Estima-se que durante as operações militares foram destruídas quatro mil casas, e duas mil ficaram parcialmente danificadas. Amplas zonas habitacionais atingidas pelos bombardeamentos israelitas continuam com a aparência de zona atingida por um forte terramoto, e para a sua reconstrução é necessário importar grande quantidade de cimento e de outro material de construção que Israel não permite a sua entrada no território. Por isso milhares de famílias vivem amontoadas em casas de parentes ou em tendas de campanha.
Reparações de emergência tornaram possível restaurar, ainda que a um nível insatisfatório (pior do que havia antes da operação militar), o fornecimento de água e de saneamento. A falta de motores para bombear água para os depósitos e outros problemas, faz com que milhares de casas só tenham assegurada água em determinados dias.
A Cruz Vermelha conseguiu reparar algumas infra-estruturas com materiais reciclados, como, por exemplo, melhorar o projecto de uma estação de tratamento de águas residuais que serve 175.000 pessoas em Rafah. No entanto, avisa que outras reparações “são urgentemente necessárias”. “O facto de os serviços de saneamento e de abastecimento de águas poderem entrar em colapso a qualquer momento evoca o espectro de uma importante crise de saúde pública”, como refere a informação.
Saúde em crise
A informação da ICRC assegura que os doentes graves não podem receber a atenção que necessitam, porque o sistema de saúde em Gaza não a pode proporcionar ou porque as autoridades israelitas demoram a entregar a permissão para que possam receber tratamento fora da faixa.
Os problemas de saúde em Gaza estão politizados e os doentes vêm-se frequentemente envolvidos num labirinto burocrático. A cooperação entre as autoridades de saúde da Cisjordânia e de Gaza é difícil. Os complexos e lentos procedimentos de importação de Israel tornam difícil o aprovisionamento regular de produtos sanitários básicos. O ICRC diz que têm de esperar até cinco meses para importar equipamento médico para os laboratórios. A maioria dos equipamentos médicos dos hospitais são inseguros e necessitam de manutenção urgente.
Em consequência destas dificuldades, “alguns doentes não recebem os medicamentos que necessitam”. Entre 100 e 150 pessoas que perderam membros, durante a incursão militar israelita, estão ainda à espera do implante de uma prótese.
Uma economia estrangulada
Uma das mais graves consequências do bloqueio de Gaza é o desemprego que alcança 44% da população, com uma perda de 70.000 empregos desde Junho de 2007. A exportação de produtos para Israel e Cisjordânia é praticamente impossível.
Resultado: 70% da população vive na pobreza, “com receitas mensais de 250 dólares por família de 7 a 9 membros” (excluindo o valor da ajuda humanitária que possam receber). 40% das famílias têm receitas mensais inferiores a 120 dólares. Muitos dos mais pobres já não têm praticamente nada… venderam móveis e ferramentas de trabalho. “O decadente nível de vida afectará a saúde e o bem-estar da população a longo prazo, e os mais afectados serão as crianças que constituem mais da metade da população de Gaza”.
Por terra e por mar
A agricultura na faixa, que ocupava um quarto da população, perdeu a exportação de diversos produtos (tomate, flores…) para Israel e para a Europa, sendo uma importante fonte de receitas.
Durante a invasão o exército israelita arrancou milhares de limoeiros, oliveiras e palmeiras, incluindo árvores que estavam muito afastadas na zona de fronteira. Também destruiu sistemas de rega, fontes de abastecimento de água e estufas.
Israel criou uma zona tampão na fronteira que se estende até um quilómetro no interior de Gaza, na qual ninguém pode entrar. Pelo menos 30% da terra arável está dentro desta zona, com o que muitos agricultores não têm acesso a parte das suas terras.
As restrições de movimento impostas por Israel também afecta o mar. No passado mês de Janeiro, refere a informação, a área em que Israel permite a pesca foi reduzida de seis para três milhas marítimas, limitando assim a actividade. Os peixes maiores e as sardinhas, que constituem 70% das capturas, encontram-se fora da zona das três milhas.
Alcançados pelo desespero
Como Israel fechou as fronteiras, os habitantes de Gaza apenas têm oportunidade de contactar os seus familiares de fora ou sair para receber educação. E mesmo assim, são vetadas frequentemente, aos estudantes que conseguiram bolsas para estudar fora, as saídas de Gaza.
Às famílias com algum parente detido em Israel não é permitida a visita. Desde Junho de 2007, Israel suspendeu o programa de visitas organizado pela Cruz Vermelha.
Concluindo, o ICRC realça que a legítima preocupação de Israel pela segurança deve ser compatível com o direito da população de Gaza a ter uma vida normal. Recorda que, segundo as normas humanitárias internacionais, Israel tem a obrigação de assegurar que se cubram as necessidades básicas de alimentação, casa, água e prevenção médica.
“Uma vez mais o ICRC pede que se levantem as restrições ao movimento de pessoas e bens como primeira e mais urgente medida para acabar com o isolamento de Gaza e permitir aos seus habitantes que refaçam as suas vidas”.
Dados apresentados neste artigo foram retirados daqui
Quarta-feira, Junho 17, 2009
"Escrúpulo Democrático"...
Não deixei de soltar um sorriso se tivermos em conta um dos sinónimos de "obrar"... assim vai a democracia do nosso escrupuloso governo.
Terça-feira, Junho 16, 2009
Wolfram Alpha: a Web que responde
O que é então o Wolfram Alpha? Como referem na página inicial, trata-se de um motor de conhecimento. Ainda que não pareça, esta descrição é bastante eloquente, pois o que este sistema faz é processar as nossas consultas, analisá-las e dar respostas concretas da forma mais humana possível. Pode dizer-se, de uma maneira vaga, que organiza os resultados que obteríamos de uma consulta normal para nos servir numa bandeja somente a informação que desejamos.
Veja-se um simples exemplo: o que nos diz o Google se procuramos saber a distância entre Lisboa e Cairo? Desde logo, surgem imensos resultados, mas nenhum dos que vemos é a resposta que procurávamos. E isto, dirão muitos – já que a pergunta está bem formulada – é algo frustrante.
Mas se realizarmos a mesma consulta no Wolfram Alpha, obtemos algo semelhante a isto.
Além disso, oferece os resultados em várias unidades de medida, tanto terrestres como náuticas, tempos necessários para a deslocação e inclusive um mapa com um vector que indica a origem e o destino. Ou seja, uma resposta concreta à nossa dúvida.
Pode parecer então que nos encontramos com uma Web especializada em calcular distâncias entre lugares, mas não é tão simples como isso. Se procurarmos algo como Sistema Solar, o que obtemos é uma enumeração dos planetas, comparações entre as suas dimensões, distâncias da Terra, ao Sol, órbitas, imagens e muita informação útil. Observamos que esta pesquisa que fizemos é muito mais aberta que a anterior, pois não solicitámos uma dado concreto. Wolfram tenta determinar a informação mais relevante sobre o tema, que pode ser útil ou não, mas acaba sempre por esmerar-se no nosso pedido.
Fica então claro que a Wolfram Alpha se dá bem com números. E com as letras? Sabe que Akhenatón, por exemplo, nasceu a
Como temia, não fala muitas línguas. Só sabe inglês, que é bastante fácil de analisar sintacticamente; pelo menos muito mais fácil que o português. Assim, a sua utilidade para os que não têm grande soltura neste idioma é limitada. é tudo uma questão de hábito. Ao fim ao cabo, para nos fazermos entender no Google também é necessário algum engenho.
Em resumo, encontramo-nos perante uma ferramenta com um enorme potencial, com uma sólida base no seu interior, herança directa do software Mathematica pelo qual todos passámos (os que estivemos relacionados com o mundo das ciências) na década de 90. Uma utilidade muito interessante é a sua capacidade para resolver problemas matemáticos com rapidez, reconhecendo e interpretando fórmulas sem ficar apenas pelos erros. Mas o Wolfram não é o Google e não se substituem um ao outro. Não são concorrentes e podem partilhar amigavelmente espaço.
Mas, se alguém pensa que a Google ia ficar parada a olhar estão muito enganados! A direcção da Google já informou os seus colaboradores para estarem atentos ao projecto Wolfram mesmo antes deste sair. Agora que já saiu, vemos novos serviços a surgirem como o Google Squared, uma experiência para construir bases de dados a partir de pesquisas. Mas mesmo admitindo outros idiomas, os resultados não são os mais exactos, e ao pesquisar por Sistema Solar, em vez de uma foto de Plutão surgia, ainda não há muito tempo, o alaranjado cão do Mickey Mouse... situação já rectificada.
Domingo, Junho 14, 2009
Segunda-feira, Junho 08, 2009
E pronto... já passou!
Ver aqui...O nosso contributo já aqui está diluído.
E eu que nem gosto do azul, dá-me um certo gozo ver a mancha azul do lado direito...
Sexta-feira, Junho 05, 2009
Mau trato mediático sobre o abuso a crianças na Irlanda
Foto tirada daqui.A informação da Comissão de investigação irlandesa sobre abusos em crianças internadas em instituições públicas traz à luz do dia um passado vergonhoso. Dirigidas por congregações religiosas católicas e por outras instituições, todo o sistema foi um terrível fracasso. Crianças submetidas desde muito jovens a um regime draconiano, onde estavam sujeitos a castigos corporais, abusos sexuais, maus tratos psicológicos, más condições de vida, de alimentação, de roupa, de atenção sanitária. A estas instituições eram enviados, pelos tribunais, pequenos delinquentes, órfãos ou crianças abandonadas. Ao longo destes anos, 1190 deles testemunharam perante a Comissão, que investigou o período compreendido entre 1936 e o final da década de 90, altura em que estas instituições foram fechadas. Mas a informação adverte que a maioria das queixas se refere à época anterior a 1970.
O foco da atenção mediática centrou-se sobretudo nas congregações religiosas, que faziam a gestão dessas instituições. “A Igreja Católica maltratou milhares de crianças…” foi o título mais utilizado. E sem dúvida as congregações religiosas responsáveis desses internatos têm grave responsabilidade. Não só porque geriam esses espaços, mas como instituições católicas dedicadas à educação de crianças devia-se esperar um especial respeito à sua dignidade. Por isso, o cardeal Sean Brady, primado da Igreja na Irlanda, declarou-se “profundamente triste e envergonhado”, pelos factos.
Mas centrar a responsabilidade unicamente nas congregações católicas implicadas, pode ser um modo cómodo de passar ao lado de muitas outras coisas. E a comissão de investigação não as silencia. Não é fácil que quem tenha escrito nos jornais tenha lido o longo texto (cinco volumes, com um total de 2.575 páginas), mas pelo menos a síntese de 30 páginas é suficiente para verificar a existência de outras responsabilidades que passou ao lado da comunicação social.
Em primeiro lugar, a responsabilidade da sociedade irlandesa na manutenção de um sistema de orfanatos e reformatórios obsoletos, que não foram inventados pela Igreja Católica. A investigação “descreve um sistema vitoriano de atenção a crianças que não soube adaptar-se às condições do século XX e que não deu prioridade às necessidades das crianças”.
Basta observar, por exemplo, que a maioria desses estabelecimentos (Artane) acolhia até 830 crianças, um número que “tornava impossível que cada criança recebesse um cuidado aceitável”. Sobretudo, Letterfrack, que se diz que era “uma instituição inóspita, sombria, isolada e acessível apenas de bicicleta ou de carro, fora do alcance das famílias e amigos das crianças ali recolhidas”. Em Marlborough House, um centro para delinquentes juvenis dirigido directamente pelo Ministério da Educação, deram-se os mesmos abusos que noutros centros.
Também há responsáveis sem hábito
O Ministério da Educação era quem tinha a responsabilidade legal sobre essas instituições (Industrial and Reformatory Schools). Assim como o de pagar os mantimentos das crianças, e as más condições de vida testemunham o que o Ministério estava disposto a gastar. É verdade que a Irlanda não era na altura um país rico, mas um sítio onde ainda muitos tinham que emigrar para ganhar a vida e sair da pobreza extrema. Convém salientar, portanto, que estes locais nunca foram uma prioridade social.
Pelo contrário, foram sempre um meio cómodo de afastar crianças mais ou menos problemáticas. Segundo a comissão, “há provas que demonstram que muitas crianças foram enviadas sem necessidade para estes centros”.
O Estado fracassou também na sua função reguladora. A investigação refere “que as inspecções eram escassas e de alcance muito limitado”. Não se desculpa a responsabilidade dos funcionários que “eram conscientes de que havia abusos nas escolas e conheciam que a educação era inadequada”. Um factor importante é a tendência autoritária daqueles tempos, que justificava uma disciplina opressora e duros castigos físicos.
O Ministério preferia também não ter conhecimento dos abusos. “As queixas apresentadas ao Ministério pelos pais e outras pessoas não foram adequadamente investigadas”, reconhece a Comissão.
Tão pouco parece que fizesse falta o hábito para incorrer em abusos sexuais. Segundo a investigação, “Os testemunhos afirmaram terem sido submetidos a abusos sexuais por religiosos e por pessoal laico e também por profissionais, tanto externos como internos das instituições. Também afirmaram ter sido abusados por membros do público em geral, incluindo trabalhadores sociais, visitantes, empregados, famílias de acolhimento”.
Abuso de informação
A investigação critica que os superiores das ordens religiosas preferiram silenciar os casos de abuso e limitar-se a transferir para outro local o culpado. Mas outras autoridades e profissionais civis actuaram com a mesma irresponsabilidade. “Os testemunhos mostram que os abusos a crianças nas escolas e instituições eram conhecidos na sociedade a nível oficial e não oficial”, diz a investigação. Entre estes estavam os inspectores do Ministério, médicos e professores que atendiam estas instituições… todos os que “não quiseram proteger as crianças”.
Dentro deste quadro geral de maus tratos e indiferença, “os testemunhos mencionam também experiências positivas como a afabilidade de alguns religiosos e membros laicos do pessoal directivo das escolas, incluindo um certo número que proporcionaram apoio em tempos de dificuldade”.
Nas conclusões, a informação faz referência às “lições do passado que devem ser aprendidas”, tanto pelo Estado como pelas congregações religiosas. “Para o Estado, é importante reconhecer que o abuso das crianças ocorreu por falhas do sistema e da política de gestão, de administração, assim como pela responsabilidade dos funcionários” relacionados com estas escolas. Às congregações pede-se-lhes que “examinem como foi possível que os seus ideais fossem degradados pelo sistemático abuso. Devem perguntar como chegaram a tolerar infracções das suas próprias regras e, como responderam quando os abusos sexuais e físicos foram descobertos”.
Certamente há motivos de exames de consciência para os religiosas, mas não só para eles. Em Maio de 1999, o primeiro-ministro Bertie Ahern pediu perdão a todas estas crianças que sofreram os abusos e reconheceu “o fracasso colectivo (do país) para intervir”. Por isso, pedir contas apenas à Igreja é outra forma de abuso… informativo.
Quarta-feira, Maio 20, 2009
Suécia: impossível negar o aborto em função do sexo
Imagem tirada daqui.Quando se fala do aborto selectivo em função do sexo, com o qual se eliminam milhões de crianças do sexo feminino, apresenta-se como um problema de países asiáticos (China, Índia ou Coreia). Mas agora sabemos que também é possível em países sensíveis aos direitos da mulher como a Suécia. A Direcção Nacional de Saúde e Bem-estar Social ditou que não se pode negar o aborto à mulher que não quer ter um filho de determinado sexo. O esclarecimento foi originado pelo caso de uma mulher que abortou já por duas vezes porque não queria ter uma menina.
O caso saltou para a opinião pública em Fevereiro deste ano, quando os meios de comunicação informaram do sucedido no Hospital de Mälarsjukhuset em Eskilstuna. Uma mulher tinha abortado já por duas vezes para não ter uma menina, pois já tem outras filhas.
O pessoal do hospital sentia-se contrariado na eliminação de um feto porque era do “sexo não desejado”. A própria Direcção do hospital reagiu com firmeza, e recorreu à orientação da Direcção Nacional de Saúde e Bem-estar Social. O hospital queria saber se podia negar aos futuros pais o conhecimento do sexo do feto.
No entanto, a Direcção de Saúde e Bem-estar Social afirma que não é possível negar a uma mulher o aborto devido ao sexo do feto. Ainda que o pessoal não esteja obrigado a averiguar o sexo do bebé só porque o paciente o solicite.
De todas as maneiras, ainda que o pessoal não tenha obrigação de revelar o sexo, se os pais o solicitarem e o pessoal esteja seguro da resposta deverá contestar, assim o esclarece Thomas Tegenfeldt, chefe do Departamento de Saúde e Bem-estar Social.
Na Índia e na China está proibido que as clínicas revelem o sexo do feto determinado pelas ecografias, mas desta proibição surtiu pouco efeito.
Kaj Wedenberg, médico e chefe de operações do hospital de Mälarsjukhuset, diz que gostaria de ter a capacidade de objectar o aborto por razões de sexo do feto. “Pessoalmente, gostaria de o poder fazer, pelo meu próprio bem – porque eu também tenho consciência e moral – e porque é contrário ao meu modo de ver”. E continua, “dou conta que é muito difícil para os médicos criticar a informação que recebemos por análises médicas e assumir a responsabilidade de tais decisões”.
Outros, como o psicólogo Björn Håkonsson, opinam que o facto de que se recuse o aborto porque o feto é do sexo não desejado, é apenas um escrúpulo politicamente correcto. Porquê recusar por este motivo se é permitida a liberdade de abortar?
Na Suécia existe uma lei que permite o aborto livre até à 18ª semana. O sexo do feto pode-se conhecer antes deste prazo. Uma nova metodologia da Lorgen GP Business Information Center – BIC/CEEL, permite conhecer o feto a partir da 8ª semana. Com uma simples análise de sangue da mãe, examina-se o DNA da criança que circula no sangue da mãe a partir da 5ª semana.
